A Cor (In)Certa
Jean-Michel Basquiat. Self-portrait, 1984 "Lembro-me perfeitamente de quando a minha mãe me disse que eu tinha a cor certa. Embalado no seu abraço ternurento, tapado pelo calor doce do seu cobertor, era eu ainda uma criança quando a ouvi pronunciar aquelas palavras. Segundo ela, a sua própria pele seria muito escura. Pelo menos perante os padrões de beleza do mundo. E alguns dos mestiços, filhos de brancos que se deitaram com negras, seriam muito claros. Pelo mesmo para uns, que não os reconheciam como negros. Eu era a exceção. A minha pele tinha sido abençoada por um cromatismo singular . Eu era claro o suficiente para ser considerado bonito pelos brancos. E escuro o suficiente para ser considerado negro pelos pretos. Eu tinha a cor certa. Lembro-me...








