Fuga
Gravura de um escravo fugitivo, século XIX, E.U.A.
“Ela leva o filho na sua mão.
Correm à velocidade da luz.
-Podemos ser livres, agarra a
minha mão. Não vou deixar que te levem…
Um par de figuras robustas persegue-os,
são os homens do seu dono. Vêm a cavalo e armados.
Ela esconde-se por baixo de uma árvore
e abraça o seu filho, beija-o uma última vez. Enquanto os homens se aproximam,
ela encontra um poço abandonado. Uma família de trepadeiras invade as suas
pedras. Faz subir a madeira que cobre o poço. Ouve-se um tiro, mas a escrava
não se amedronta. Através de um movimento ágil ela impulsiona as suas pernas e
salta.
-Vamos ser livres.”
“Protesta-se com todo o rigor das leis contra
quem tiver dado, e der coito a escrava do abaixo assignado, fugida de seo poder
na freguezia do Queimado desde 7 de fevereiro do corrente anno; e gratifica-se,
conforme a trabalho da captura, á quem a prender, e levar ao dito seo senhor
ali, ou mete-la nas cadêas da capital. [...] Levou uma filha de sua côr, que
terá pico mais de anno de idade. O padre Duarte.”
As fugas faziam parte da
realidade da escravatura. Assim como as tentativas dos respetivos donos de recuperar
os seus “bens”. O relato presente no texto citado pertence ao Memorial da Escravatura
e do Tráfico Negreiro, em Cacheu. No nosso Projeto, a nossa escrava tenta fugir
com o seu filho. Contudo, a tentativa de fuga acaba tragicamente. A senhora
salta com o seu filho para um poço, numa tentativa de escapar à captura dos homens
do seu dono. Mas, terá este poço algum fim? E se tiver, a onde levará ele esta mãe
e este filho, escravos que não querem mais do que ser livres?



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